DEDICADA ÀS PESSOAS DE ANGOLA E AOS QUE GOSTAM DE ÁFRICA
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Há muito tempo que não vou a Angola.
A razão principal é, – porque do que eu gosto daquele país, – não oferece ainda à pessoa que procura aventuras, a segurança necessária para poder gozar plenamente da liberdade que antes se gozava ao atravessar aquelas terras do sul, que eram os desertos e semi desertos entre o Lobito e Baia dos Tigres que são uma maravilha, como espectáculo natural.
Aí o Lobito! Uma terra que eu adorei sempre, até porque lá vivi até aos meus 10 anos. Fiz a primária numa escola, que alguém se deve lembrar dela, era a escola particular, da D. Estrela.
Para poder descrever um pouco, do que é hoje, a vida de um aventureiro que se queira entrar nessas terras, primeiro há que pedir uma licença para fazer essa viagem ao governo, explicando tudo, o porquê, e a razão.
Então o governo, se está de acordo, manda um polícia a acompanhar a expedição, para que vigie tudo o que o grupo faz e dizer quando há que fotografar, ou não, o que se vê.
Um bom amigo há tempos fez parte de uma equipe que realizou uma viagem fantástica; com muitos problemas, mas finalmente conseguiram terminar o que se tinham proposto, com algumas alterações no itinerário, porque em África as coisas vão, como dizem os americanos, “played by the ear” “tocadas de ouvido” nunca se pode seguir a pauta traçada, antecipadamente.
Pois bem vou tentar por algumas das fotografias que eles tiraram, para que tenham uma ideia como se encontram as coisas lá, especialmente para os que conheceram a Sul de Angola, que continua sendo uma terra de contrastes, uma terra árida, mas bela, como vão a ver em algumas destas fotos.
Há coisas que um velho colono se admirará, agora ao contemplar a nova sociedade angolana. É uma sociedade nova, com gente nova.
Agora nos bares do Namibe (Moçâmedes), em que antigamente (30 anos atrás), era raro ver uma pessoa de raça negra, agora é tudo o contrário, é muito raro ver uma pessoa de raça branca dentro desses bares. A maioria dos antigos residentes abandonaram a cidade e agora vivem lá os descendentes dos antigos habitantes, e também alguns que nunca abandonaram o país apesar dos problemas que tiveram que enfrentar durante vários anos, até que a “coisa” se acalmou um pouco.
Pois bem, continuamos a nossa narração a ver se podemos por as tais fotografias que queremos para mostrar-vos a beleza daquelas terras, e assim, trazer-vos recordações dos lugares e da terra onde vocês e os vossos pais viveram.
Os nossos aventureiros queriam conhecer as fabulosas praias desertas que existem entre a Baia de Benguela e a Baia dos Tigres.
Sabiam que Angola tem uma das costas mais ricas do Oceano Atlântico? As correntes da Baia de Benguela, atraem milhões de toneladas de peixes de diferentes espécies, que os grandes armadores aproveitam com os seus barcos de pesca, levando para os seus diferentes países, toneladas dos apreciados meros ou garoupas.
Se eu amigo/a fosses mergulhador poderias ir a muitas das praias que eu conheço, e deleitar-te mergulhando numa parede de pedra e coral, onde milhares de peixes, comem e vivem.
A fotografia que mais abaixo mostro, é uma foto que é muito difícil que se possa tirar noutro lugar que não seja a praia da Lucira, ou a do Chapéu Armado e de outras mais que existem na costa da nossa querida Angola.
Uma manha de mergulho entre três pessoas, é o resultado que se pode ver na fotografia que segue.
Usando somente os óculos, barbatanas, fato de mergulho em tempo de frio, e o arpão, conseguia-se uma boa meia tonelada de peixe numa manha.
São meros na maioria, e alguns pargos mas poucos. Eu mergulhei em muitos lugares do mundo: as Caribas, o Mar Vermelho, no Oceano Indico, nas Seychelles, em todos estes lugares, nunca na minha vida encontrei um lugar com tanto peixe como é a costa de Angola, e principalmente, neste lugar que vos descrevo.
Isto ainda se consegue hoje em alguns lugares onde a cobiça humana não chegou. Assim são, como dizia atrás, as ricas e maravilhosas águas de Angola.
Para chegar a esses lugares, não resulta nada fácil, é preciso um par de carros de tracção às quatro rodas ou sejam os 4x4, para levar tudo o necessário que implica uma viagem assim. Caixas com peças para os carros, gasolina, pneus, todo o equipamento de fotografia, artigos de cozinha, comida, bebida e especialmente muita água, sim muita água.
As estradas cada dia estão mais abandonadas, porque algumas há muitos anos que não são reparadas se não são de primeira necessidade, então há buracos por todos os lados.
É preciso o apoio de um carro a outro para poder muitas vezes sair de lugares que são verdadeiramente uma prova extrema para os Jesus e camionetas de tracção às quatro rodas.
Nesta estrada, há uns trinta anos podia-se andar a mais de 120 kms por hora, hoje, se andas a 20kms já é uma sorte.
Mas para chegar a esses lugares paradisíacos todos os esforços que se façam compensam.
Andando sempre para o Sul, nesta estrada, um vai a mais de
Ao chegar aí, podes montar o teu acampamento numa das muitas grutas, cavadas pela acção das marés e do vento, descansar um ou dois dias, e pescar se é que gostas deste desporto.
Continua na carta 2.

3 comentários:
Caro Victor "The Hunter"
Adorei ler este Blog, mas que homem vivido foste my friend...
Homem que andou pelas áfricas , tens de facto muitas historias pra contar, eu pessoalmente adorei as de Santa Carolina que conheço bem, e onde hoje costumo ainda ir, apesar de estar desactivada, e de D. Ana e seu Piri-Piri de seu marido Sr Joaquim Alves, Vilanculos ai ai ai...que saudades, passei fim do ano de 1995/1997/1999 e também da paraia do Charéu em Angola...Como é possivel caçar 500 kgs de peixe a arpão? impressionante...
Parabéns Victor pelo Blog
Abraço
Roger
Oi Victor estou a dar lectura dá tudo que voçè escribió é me sento alá mesmo, adoro África voçè save isso já rsss é pronto vou comentar con mais detalle tudo ó que tenho visto aqui.Adoro a voçè tambem save isso kkkkkk boa sorte tenha sempre en suo caminhar pela vida, um beijo grandote asim como eu
É pena é este blog ser ser um registo do que foi morto e não do que admirou na sua passagem por África. A minha infância, felizmente foi o oposto.!
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